Bom, como prometido aqui está outro conto distorcido pela população medieval! E hoje lhes apresento... tan-tãra-rãn... Chapeuzinho Vermelho-Sangue!
A tonalidade mais
chamativa na roupa da doce Chapeuzinho combina com uma história cheia de
violência, canibalismo e insinuações sensuais.
ERA UMA VEZ...
A maioria dos contos
de fadas, como Chapeuzinho Vermelho, surgiu por volta da Idade Média, em rodas
de camponeses na Europa, onde eram narrados para toda a família. "A fome e
a mortalidade infantil serviam de inspiração", diz a especialista em histórias
infantis Marina Warner, da Universidade de Essex, na Inglaterra.
FINAL FELIZ
Ao fim da versão
francesa, Chapeuzinho, sentindo-se ameaçada, pede para sair e fazer suas
necessidades fora da casa. O lobo, nojentão, insiste para que ela faça xixi na
cama mesmo - urg! -, mas acaba deixando a menina sair. Esperta, Chapeuzinho
aproveita o vacilo do vilão e escapa.
FINAL SANGRENTO
O francês Charles
Perrault foi o primeiro a pôr muitos contos de fadas no papel, no século 17.
Ele tornou o final da história mais sangrento - com o lobo jantando a mocinha -
e introduziu a famosa moral da história, dizendo que "crianças não devem
falar com estranhos para não virar comida de lobo".
FINAL AMENIZADO
No século 19, os
irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm - famosos compiladores de contos que até
então só eram transmitidos oralmente -, inventaram a figura do caçador. No fim
da história, ele aparece e salva a pele de Chapeuzinho e da vovó, abrindo a
barriga do lobo com um tesourão.
1. COMIDA DE VÓ
Numa versão francesa
da história, após interrogar Chapeuzinho na floresta e pegar um atalho para a
casa da vovó, o lobo mata e esquarteja a velhinha sem dó. A coisa piora quando
o vilão, já fingindo ser a vovó, oferece a carne e o sangue da vítima, como se
fosse vinho, para matar a fome da netinha - que come e bebe com gosto!
2. TIRA, TIRA...
Após encher o bucho e
praticar canibalismo sem saber, Chapeuzinho ainda tira a roupa e joga no fogo,
a pedido do lobão! O clima, porém, não é nada infantil, com a garota
perguntando o que fazer com a roupa a cada peça tirada. O lobo só tinha uma
resposta: "Jogue no fogo, minha criança. Você não vai mais precisar
disso...".
3. SEDUÇÃO INFANTIL
Ao se deitar ao lado
do lobo, já totalmente nua, Chapeuzinho começa a reparar no físico do vilão,
como se desconfiasse de algo (nossa, até que enfim!). Admirada, a menina começa
a exclamar: "como você é peluda, vovó", "que ombros largos você
tem" e "que bocão você tem", entre outros elogios à anatomia do
bichão...
Vestida para matar
A roupa vermelha simboliza as emoções violentas e a transferência prematura para o "mundo adulto". O nome do conto em diminutivo sugere ainda que a menina ainda é nova demais para isso (o que é verdade).
Quem tem medo do lobo mau?
A história lido com desejos inconscientes da filha de ser seduzida pelo pai, representado pelo lobo. Em certas culturas camponesas, quando a mãe morria, a filha tomava o seu lugar na casa e nas relações afetivas.
Inocência perdida
Como toda criança, Chapeuzinho ainda não sabe muito sobre as relações afetivas. Ela representa a transição da inocência para a puberdade. A desobediência infantil também aparece quando a menina sai do caminho para colher flores antes de visitar a avó - diversão primeiro e deveres depois.
Parece que nem a querida menina do capuz vermelho escapou da sombra do lado negro! Bem, semana que vem tem mais! Não percam! :)

